3 de abril de 2012

A mesma praça, o mesmo banco...

Eu percorro as mesmas ruas para chegar em casa desde que me entendo por gente. Aquelas ruazinhas bem de bairro mesmo, com pracinhas, mercadinhos, escolinhas... Tantas coisinhas, que a gente mal nota porque sempre esteve ali. E parece que sempre estará. Às vezes olhando a praça em frente de casa, eu tenho a sensação de que ela nunca mudou. Continua a mesma de quando eu tinha 10 anos de idade. Mas no fundo eu sei que não é assim. Que ela mudou muito, assim como eu. Apesar de suas mudanças mal serem notadas por quem sempre morou no mesmo lugar desde sempre. E só quem nunca se mudou de sua morada, sabe do que eu estou falando. É engraçado como um lugar se enraiza na alma da gente e a gente nem nota. E quando nota, vem aquela saudade de tantas coisas que aconteceram ali. De tantas lembranças que seria possível escrever um livro com todas elas. E a gente percebe que está ficando velho, e que não vai viver ali para sempre. E que na realidade talvez esse dia de partir esteja mais perto do que se imagina. E saudade fica maior. Mas é uma saudade de algo que não se viveu ainda.

2 comentários:

Ariana Luz disse...

Olha só, o espanto é tanto, que o título do texto anterior resume essa delicadeza que tá aqui.

E é isso mesmo, não nos apercebemos mais da paisagem, se torna comum. Esquecemos e fim.


Flores!

Lúcia Silva Poetisa do Sertão disse...

A mesma praça o mesmo banco, as mesmas pessoas em bairros simples, porém de grandes sentimentos, simplicidade que gera significativas inspirações para belos escritos como esse. Abraços cheios de ternura!